sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Memórias de natal e desejo de bom ano novo

A entrada de um novo ano é sempre motivo de grande euforia e festa, grandes expectativas e projectos, uns serão concretizados, outros nem por isso, mas o importante é mesmo o sonho.
Um pouco do que se comeu por cá e por casa da avó :)

A mim estas festas deixam-me sempre um pouco nostálgica, pelas memórias de festas passadas, festas que não tinham o fausto nem o consumismo destas de hoje em dia, mas que tinham muito mais de humano, onde a casa da avó era o aconchego da família toda.

Tenho na minha memória os natais passados na aldeia na casa dos meus avós, os cheiros, os sons, as vozes, os sabores e as pessoas que já não estão e que deixam para além da saudade, a certeza de que nada do que vivemos se voltará a repetir. A união que conseguiam em torno da sua casa, as suas histórias tantas vezes contadas á volta da lareira, as suas receitas e saberes que não passaram, não porque era segredo, mas porque eram elas, as avós que faziam e sabiam e como se esperava que fossem eternas ninguém se preocupava em aprender.
A fogueira de natal em frente á igreja, que durava uma semana a arder, desde a véspera de natal até ao fim de ano, ponto de encontro de todas as famílias, que depois da ceia de natal e antes da missa do galo se juntavam em volta desta fogueira, a cantar cânticos natalícios com concertinas á mistura.

Nesses tempos a árvore de natal feita com um pinheirinho natural que se comprava no mercado ou quem vivia na aldeia até apanhava na floresta, não era muito uniforme na forma, mas deixava um cheirinho a resina pela casa, para enfeitar, umas fitas coloridas e algumas bolas, que eram as mesmas durante anos a fio e também chocolates próprios para pendurar na árvore, que raramente chegavam ao fim da época e por vezes o que chegava eram as pratas bem disfarçadas para ninguém perceber que já estavam vazias :)
O presépio não podia faltar, feito com musgo natural que apanhávamos na beira dos caminhos e artisticamente decorado com pratas a fazer rios e lagos, com as figurinhas de barro que também elas resistiam longos anos e nem que o menino já não tivesse bracinho ia na mesma para as palhinhas, 

Sim o presépio era a figura mais importante no natal, nessa época ainda não havia o barrigudo de barbas brancas, era o menino jesus que trazia os presentes, aquele que íamos beijar na missa do galo e que depois passava por cada casa e deixava durante a noite alguma coisinha, que só na manhã do dia de natal víamos, nem dormíamos bem, para de madrugada saltar da cama para ver o que o menino tinha deixado, um brinquedo, um chocolatinho e uma coisa importante que agora é desprezada por qualquer criança, uma roupinha e umas botas novas para vestir dia de natal, era uma coisa que todos gostávamos, na minha memória ficou uma malfadada camisola amarela de pura lã, daquelas que picam até aos ossos e que eu chorava para vestir, mas foi o menino que trouxe....

E eramos tão felizes com estes poucos presentes que o menino nos trazia...
Um pouco do nosso natal, por cá e por casa da avó :)

As nossas memórias são uma espécie de património imaterial que é só nosso e que guardamos com carinho, quando são coisas que nos fizeram bem :)

Bom ano para todos os meus familiares e amigos

4 comentários:

  1. QUE A ARTE POR AQUI, SE MANTENHA TAMBÉM POR 2016 FORA.
    DE VEZ EM QUANDO PASSO PARA LEVAR UMA RECEITA....
    NÃO FOI O CASO PARA AS FESTAS, MAS MUITAS VEZES.
    SAUDE E PAZ PARA ESTE NOVO ANO.
    ABRAÇO

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  2. O natal é feito de memórias e recordações, talvez por isso eu goste tanto desta época. Bom ano 2016 com tudo de bom :)
    Gulosoqb

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  3. Momentos felizes!
    Bom ano!
    Nina
    https://www.facebook.com/cantinhodapartilha/

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  4. Feliz Ano 2016!
    bjs
    Carla
    http://cromasdacozinha.blogspot.pt/

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